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Mural do Esporte
por Elton Laud, repórter de O ECO, que vai tratar das curiosidades do esporte
Três vezes Senna #3
A temporada de 1991, não garantiu a Senna apenas o tricampeonato, mas a consagração definitiva. O maior adversário no ano, porém, não foi o rival francês Alain Prost, da Ferrari, mas o britânico Nigel Mansell, que depois de três temporadas na Ferrari se transferiu novamente para a Williams, equipe que já havia defendido entre 1985 e 1988 e onde tinha conquistado seus melhores resultados na carreira até então: os vice-campeonatos de 1986 e 1987. Os dois, juntos, venceram 12 das 16 corridas do ano (Senna, sete, Mansell, cinco), no entanto, dividiram o pódio apenas seis vezes.
Mansell merece ser aplaudido pelo vice-campeonato, já que depois de não ter conseguido concluir as três primeiras provas do ano teve uma recuperação incrível conquistando cinco vitórias e quatro segundos lugares. Senna, por sua vez, começou a temporada vencendo os quatro primeiros GPs (EUA, Brasil, San Marino e Mônaco), depois voltou a vencer na Hungria, na Bélgica e na Austrália, e terminou em segundo na Itália, em Portugal e no Japão.
Três momentos bastante emblemáticos marcaram a temporada de 1991. O primeiro foi no GP do Brasil, em Interlagos, quando o piloto venceu pela primeira vez em seu país, correndo as últimas sete voltas apenas com a sexta marcha, segurando o carro literalmente no braço. O Segundo foi no GP da Grã-Bretanha, onde Mansell, depois de vencer a corrida, parou o carro para dar carona a Senna, que havia abandonado na última volta. O terceiro foi na penúltima corrida do ano, em Suzuka, no Japão, onde Senna, que já havia garantido o título, tirou o pé na última volta e deixou o companheiro de equipe, Gerhard Berger, ultrapassá-lo para vencer sua primeira corrida depois de mais de dois anos.
A temporada de 1992 foi péssima para o brasileiro, que ficou pelo caminho em sete corridas e terminou na quarta colocação com apenas três vitórias (Mônaco, Hungria e Itália), um segundo lugar (Alemanha) e três terceiros lugares (África do Sul, San Marino e Portugal), somando apenas 50 pontos, menos que a metade dos pontos conquistados pelo campeão Nigel Mansell, que deixou a categoria logo após o título.
No ano seguinte, sem o britânico, o maior adversário voltou a ser o francês Alain Prost, que depois de ficar fora da temporada de 1992, acertou a volta à Fórmula 1, justamente no lugar de Mansell, na Williams. Senna venceu cinco vezes (Brasil, Europa, Mônaco, Japão e Austrália) e ficou duas vezes em segundo (África do Sul e Espanha), mas não teve carro para bater os poderosos motores Renault e viu Prost faturar o tetracampeonato com sete vitórias. O inglês Damon Hill, companheiro de equipe do francês, venceu outras três provas e o alemão Michael Schumacher, da Beneton, venceu uma corrida (sua primeira).
Em 1994, depois de seis anos correndo pela McLaren, Senna foi para a Williams. Alguns dizem que a transferência só não ocorreu na temporada anterior porque Prost havia se recusado a tê-lo novamente como companheiro de equipe, obrigando, inclusive, a adição de uma cláusula no contrato impedindo sua contratação naquele ano. Prost nega, porém, em 1994, sem a continuidade da suposta cláusula, a ida de Senna para a equipe se concretizou e o francês decidiu se aposentar definitivamente, apesar de ter mais um ano de contrato.
Sem seus maiores adversários e novamente com um carro competitivo, Senna parecia otimista no início do ano, porém, o mau desempenho nas duas primeiras corridas (GPs do Brasil e do Pacífico), quando abandonou as provas depois de ter feito as poles, parecia o incomodar bastante. Definitivamente não era um bom ano, mas nem o mais pessimista poderia imaginar que tudo terminaria de forma trágica e mudaria para sempre os domingos dos brasileiros.
Para quem assistia ao GP de San Marino, naquele domingo, dia 1º de maio, aquela era apenas mais uma corrida. Talvez não para Senna. Seu semblante não era o mesmo. A morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger e o grave acidente de Rubens Barrichello no dia anterior pareciam ter abalado bastante o piloto. As imagens de seus últimos momentos nos boxes antes da corrida são impactantes. Assim como as imagens do acidente na curva Tamburello dos momentos de tensão e apreensão desde o atendimento na beira da pista até o anúncio de sua morte, horas mais tarde.
É provável que os mais novos não consigam dimensionar o tamanho da tristeza que o país todo sentiu naquele início de tarde do domingo, quando Roberto Cabrini entrou ao vivo no plantão da TV Globo, para anunciar o que todos temiam. Senna estava morto, e com ele parte do orgulho de todo um país. A comoção nacional assistida nos dias que sucederam a morte de Senna talvez seja algo que jamais se repita. Isso porque dificilmente veremos outro igual a ele. Mais do que três títulos, 41 vitórias e 65 poles, Senna conquistou um lugar no coração dos brasileiros que sempre será seu. Passe o tempo que passar.
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