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Envelhecer com Qualidade
por Nádia Placideli. Ela é gerontóloga e doutoranda em saúde pública
Estamos preparados para receber nossos idosos?
Atualmente na maioria dos lares brasileiros há uma pessoa idosa, esses idosos moram sozinhos ou com seus familiares (cônjuges, filhos e/ou netos). De acordo com as legislações brasileiras vigentes que asseguram os direitos aos idosos, como a Política Nacional do Idoso (lei 8.842 de 04 de janeiro de 1994) e o Estatuto do Idoso (lei 10.741 de 01 de outubro de 2003) ressaltam que é dever da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso o direito à vida, e qualquer omissão advinda dessas esferas na atenção a essa população, esta sujeita a punições.
No presente texto focalizemos na instituição “família”, enquanto responsável em primeira instância pelos idosos. Os arranjos familiares, ou seja, a composição das famílias, tem se modificado ao longo do tempo, com repercussões vivenciadas no momento atual, como: a redução do tamanho das famílias, devido à diminuição na taxa de fecundidade, assim menos membros compondo-a; a conquista da mulher ao mercado de trabalho, uma vez que a mulher ocupava e ocupa o papel de cuidadora (de crianças, pessoas com deficiências e idosos), consequentemente reduz-se a possibilidade de prestação de cuidados desempenhado pela mulher em seu lar.
A conquista da longevidade também contribui para essas mudanças nos arranjos familiares, uma vez que as famílias contemporâneas se deparam com pessoas idosas, que vivem muitos anos na velhice. Sendo o processo de envelhecimento um fenômeno biopsicossocial que causa transformações e declínios de percepção significativa nos idosos, as famílias descobrem que precisam se reorganizar para lidar, por exemplo, com a dependência de seus idosos em decorrência das doenças crônicas e/ou degenerativas (doença de Alzheimer, doença de Parkinson, fratura de fêmur e incapacidades), ou mesmo a viuvez e as demandas que acompanham o idoso que vive sozinho, entre outras, tem impactado e assustado muitas das famílias brasileiras, que não sabem como lidar com essas demandas. 
Para essa reflexão convido-os a pensar sobre dois questionamentos, primeiramente, sendo a família uma instituição construída a partir de relações interpessoais entre seus membros ao longo do tempo, como essas relações foram ou são construídas positivamente para que na velhice, o idoso possa receber a atenção que necessita e deseja? E como a sociedade em geral tem se preparado para receber os idosos, em uma dinâmica que requer a participação efetiva das esferas família, sociedade e Estado (governo)?
Alguns indícios demonstra-nos que infelizmente ainda estamos distantes nessa preparação para receber nossos idosos, com a realidade da violência contra a pessoa idosa, por exemplo, em que os maiores agressores são familiares e aqui chamo a atenção para os diversos tipos de violência não apenas os abusos físicos, mas também psicológico, financeiro, negligência e abandono.
Nessa perspectiva também não podemos nos esquecer do auxílio necessário às famílias que prestam cuidados aos idosos, em contribuição a não sobrecarga dos cuidadores de idosos, tornando-se extremamente importante maior quantidade de equipamentos que assistam essa população, de forma qualificada, como a implementação de Centros-Dia e Centros de Convivência para Idosos e equipes de atenção domiciliar ao idoso.
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