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Marcos Norabele
Psicólogo, escritor, Marcos vai tratar do maravilhoso mundo da literatura e da psicologia
O Trono e o Vaso
Faz algum tempo que escrevi este texto, algumas pessoas já leram. Deve fazer parte de um livro que quero lançar com reflexões deste tipo. Segue abaixo:
 
O imperador de um grande país, um dia chamou seu jovem filho para submetê-lo a um teste. O imperador, apontando para o trono revestido de ouro e pedras preciosas, entregou ao rapaz uma semente dizendo “Para ser imperador você deve encontrar um terreno adequado para plantar esta semente.Lembre-se, o terreno adequado deve resistir a tempestades e terremotos.” O rapaz, ainda olhando fascinado para o trono, pegou a semente. 
Em seguida juntou uma pequena comitiva, partiu para o norte do país, onde se achava o magnífico Jardim do Imperador confiante que a semente deveria ser plantada naquele lugar. Dias depois, ao chegar ao fabuloso jardim, ficou fascinado com sua beleza e diversidade de plantas. Sem perder tempo adentrou a procura do melhor lugar para plantar a semente. Quando julgou haver encontrado o melhor terreno foi surpreendido pela visão de um jardineiro arrancando do chão, sem dificuldade, uma erva daninha. 
O jovem concluiu que aquele terreno, apesar da beleza, não poderia resistir a tempestades e terremotos. Sem demora partiu imaginando que o local adequado deveria ser de rocha muito firme, assim dirigiu-se para a Grande Cordilheira do Sul, pensando que se as montanhas existiam há milênios deveriam resistir a tempestades e terremotos. Depois de dias chegou a um vilarejo nas encostas das montanhas e o povo ficou feliz em receber o príncipe. Ele se pôs a procurar a montanha que fosse a mais resistente, apenas estranhando que não houvesse vegetação cobrindo-as. Um dia, enquanto procurava, foi surpreendido por uma forte chuva. Ele notou que a montanha resistia à água que por isso escorria com força pela encosta. Percebeu que a semente não poderia ser plantada ali porque não cravaria sua raiz em terreno tão duro e seria arrancada pela enxurrada. Despediu-se dos aldeões e partiu novamente, agora em direção a longínqua Floresta Imperial que ficava no interior. 
Foram muitos dias de viagem atravessando o país até chegar à floresta. O príncipe viu ali árvores magníficas que deveriam ter séculos de existência e se convenceu de que havia encontrado o lugar ideal para plantar a semente que seu pai lhe confiara. Entrou na floresta e logo ouviu o som de golpes em madeira e seguindo em direção ao ruído encontrou um menino com um machado na mão. Ele havia derrubado uma frondosa árvore. O príncipe perguntou-se “Se uma criança é capaz de derrubar uma árvore, o que não fará um terremoto neste lugar?” Desanimado o jovem príncipe voltou para a cidade convencido de que não encontraria o local adequado para plantar a semente. 
Enquanto cabisbaixo atravessava a praça, o Príncipe notou um jovem carregando uma bela flor num pequeno vaso. O rapaz tropeçou e caiu, mas conseguiu manter o vaso intacto em sua mão. Levantou-se em seguida e o entregou para uma moça que retribuiu com um beijo. O Príncipe de imediato comprou na feira da cidade um pequeno vaso que encheu de terra e ali depositou a semente. Durante a viagem de volta carregou com cuidado o vaso e quando chegou ao palácio uma pequena planta já havia nascido. Dirigiu-se a sala do trono e encontrou o imperador. Logo foi dizendo “Pai, percorri o país, procurei jardins, montanhas e florestas, porém acredito que o local mais adequado para proteger esta planta de tempestades e terremotos seja este pequeno vaso.” 
O imperador olhou o vaso e sorriu “E o que aprendeu de tudo isso?” O jovem ficou em silêncio buscando a resposta no pequeno vaso. O imperador apontando novamente o trono disse “Um dia serás o imperador. Quando estiver sentado no trono dourado e for o senhor desta terra, lembre-se deste vaso e que a humildade resiste a tempestades e terremotos
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