Márcia Pompermayer
O mundo empresarial sob a ótica da mulher moderna
É óbvio! Pra quem?
Muitos dos problemas de má comunicação que nos acontecem, certamente são porque deixamos de dizer o óbvio! Sim, pois o que é óbvio para mim pode não ser para o outro.
Já presenciei verdadeiros desastres de má comunicação dentro do ambiente de trabalho, gerando todo tipo de insatisfação entre as pessoas, desde mal entendidos e agressões verbais a muito retrabalho. 
Cada pessoa entende a mensagem através do seu ponto de vista, temos ideias, hábitos e costumes diferentes um do outro. Sua percepção de mundo não é igual a minha e nem igual a do outro. Por isso, para evitar erros de interpretação, seja claro, não deixe nada subentendido.
Certifique-se que o outro entendeu. Pergunte e pergunte. Esteja aberto para ouvir outros pontos de vista. Quando forem conflitantes com o seu, mantenha a calma e use o bom senso para argumentar. Comunique-se de forma objetiva, mas sempre com respeito e educação.
Aprendi que quando explico detalhadamente para alguém uma tarefa que quero que seja realizada e, principalmente, a importância e o beneficio desta tarefa, o resultado alcançado é sempre eficaz, sem falhas.
Se quisermos que alguém faça algo para nós devemos esclarecer o motivo, inseri-lo no contexto para que ele tenha a visão do todo e entenda claramente o porquê do pedido solicitado. 
Agindo assim certamente não precisará dizer a celebre frase: Mas isto era óbvio, quando algo sair errado.
Tomei emprestada uma história engraçada da psicanalista e poetisa Clarissa Pinkola Estés sobre as mulheres de Ruanda, para exemplificar um processo falho na comunicação.
Esclareço que a comparação que utilizo desta história, para exemplificar a falha na comunicação, não tem o mesmo propósito pelo qual a autora utilizou no livro, “Mulheres que correm com os lobos”.
Certa vez, durante a segunda guerra mundial, um general americano foi visitar as tropas aliadas em Ruanda, na África. O governador local queria que todas as mulheres nativas fossem dar as boas vindas para o visitante. Mas elas não usavam roupas, apenas brincos e colares e isto foi considerado um problema. A solução encontrada pelos organizadores foi ordenar que todas usassem roupas. Só que elas não possuíam roupas.
O governador pediu ajuda e conseguiu saias e blusas para todas as nativas. Porém elas não haviam gostado das blusas, e todas no dia do evento compareceram vestidas unicamente com as saias. O governador irado falou ao chefe da tribo que elas não poderiam aparecer mostrando os seios. No entanto, o chefe acalmou-o dizendo que já tinha conversado com a sua esposa, e esta o garantiu que elas encontraram uma solução para cobrirem os seios na hora do cortejo militar.
Todas as mulheres nativas estavam posicionadas lado a lado ao longo da estrada de terra e, enquanto o jipe do general passava por entre elas, uma a uma levantava graciosamente a saia até a altura do rosto para cobrirem os seios.
Vestiram um santo e descobriram o outro!
Já imaginou o grande “desconforto” que esta situação gerou para o general e toda a sua equipe, desde fotógrafos, jornalistas e organizadores do evento?
Ocorreram muitos fatores para o resultado desastroso da comunicação com as mulheres de Ruanda. Ninguém as inseriu no contexto social do momento, cobrir o corpo com tecidos, ou seja, usar roupas era totalmente incomum e sem sentido para elas. A vergonha da nudez não era da cultura delas e sim dos visitantes.
Deixaram de dizer claramente o mais simples, o que era evidente para todos, menos para elas: “A nudez será proibida durante o evento”.
Até hoje sorrio sozinha quando me lembro desta história. Talvez por isso, trato logo de dar instrução clara e explicar o óbvio quando delego alguma tarefa.
A comunicação é um grande desafio para nós, tanto no ambiente profissional como no familiar, devemos ter cuidado com a forma que transmitimos nossa mensagem, porque é nossa a responsabilidade de fazer o outro entender claramente o que queremos transmitir.
Se for óbvio, então tem que ser explicado!
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