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Envelhecer com Qualidade
por Nádia Placideli. Ela é gerontóloga e doutoranda em saúde pública
Longevidade: até quando queremos viver e como?
A longevidade da população é uma realidade mundial, as pessoas a cada ano ganham maior expectativa de vida e de sobrevida, sendo a última, os anos estimados de vida após a chegada dos sessenta anos. Contudo, acompanhado da longevidade observa-se mudanças no indivíduo envelhecido em aspectos biológicos, psicológicos e sociais (biopsicossociais).
O envelhecimento é um processo universal que acomete todos os seres vivos, inclusive a espécie humana, caracteriza-se por ser progressivo, irreversível e ininterrupto, ou seja, com o decorrer do tempo pode ser observado transformações e declínios biológicos em todo o corpo envelhecido (como por exemplo, diminuição na produção de alguns hormônios essenciais), mudanças psicológicas (como no funcionamento neurológico, na lentificação de processamentos cognitivos) e sociais (possíveis modificações na rede social), compreende-se isto como a senescência.
Com o avançar do envelhecimento os indivíduos possuem maiores chances em serem acometidos pelas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como diabetes mellitus tipo II, hipertensão arterial sistêmica, artrite, artrose, osteoporose, entre outras. Aqui vale ressaltar que as DCNT não são elementos obrigatórios desse processo, visto que, determinantes genéticos, hábitos de vida saudáveis ao longo do tempo constituem fator de proteção quanto a essas patologias. Atualmente devido ao grande avanço tecnológico, farmacológico e não-farmacológico  no tratamento dessas essas doenças, a população consequentemente vive muitos anos com tais.
Os indivíduos idosos que são acometidos pelas DCNT, possuem uma vida “normal” desde que façam o tratamento corretamente para controle dessas doenças, entretanto, com o avançar da idade aspectos naturais do envelhecimento se sobrepõem as doenças, causando muitas dificuldades para profissionais da área da saúde que lidam diretamente com esse público, para reverter agravos decorrentes dessas patologias (como a dor crônica) e prolongar a vida.
Diante do exposto, cabe a nós realizar a seguinte reflexão: em meio ao mundo informatizado, com tantos avanços no desenvolvimento tecnológico para tratamento de doenças, como Cânceres, Diabetes, Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson, e com recursos humanos altamente preparados e especializados, médicos e não médicos para atender essas demandas, então, será que nos tornamos imortais? Até quanto pretendemos estender as nossas vidas? E como queremos viver nossos últimos anos?
Esses são questionamentos que se faz importante para lembrarmos-nos que somos seres mortais, apesar de todas as conquistas quanto à longevidade, a morte constitui o fechamento do ciclo de vida (aqui nesse mundo), isso é algo certo, como dizem por aí – “é a única certeza dessa vida”, porém parece que cada vez mais nos esquecemos, ou nos distanciamos disto.
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