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Mural do Esporte
por Elton Laud, repórter de O ECO, que vai tratar das curiosidades do esporte
Não coloco minhas mãos no fogo
Desde o início da semana a Stock Car foi um dos assuntos em evidência na imprensa esportiva brasileira. Não pelo início da temporada 2016, marcado para o próximo domingo (6), no Autódromo Internacional de Curitiba, no Paraná, mas sim por um possível escândalo de corrupção. Daqueles capazes de colocar em xeque a credibilidade de qualquer esporte. O assunto foi trazido à tona em uma reportagem publicada na edição de segunda-feira (29) da Folha de S. Paulo.
Uma conversa em um grupo do WhatsApp, formado por comissários e auxiliares que atuam na Stock Car, sugere que pilotos da categoria possam ter sido prejudicados com punições tendenciosas, deliberadamente aplicadas sem critérios técnicos, e ainda mostra funcionários contando vantagem de terem prejudicado competidores no passado. O principal alvo seria o pentacampeão da categoria, Cacá Bueno, piloto da RBR Mattheis. Thiago Camilo, piloto da Ipiranga-RCM também foi citado.
Na troca de mensagens aparecem dois funcionários ligados à Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA): o Comissário Técnico, Clóvis Matsumoto - que não atua mais na Stock Car, segundo a publicação - e o auxiliar, Paulo Ygor Dias. Em um dos trechos, Dias sugere: "Vamos desclassificar ele (Cacá) por alguma coisa na próxima etapa". Em outro, Matsumoto afirma: "Na minha época o Cacá foi três vezes vice porque eu não estava a fim de deixar ele ser campeão".
Como era de se esperar, ao tomar conhecimento da reportagem, a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) se prontificou a tirar o dela da reta e cumprir o protocolo, afastando de forma provisória os dois funcionários citados na reportagem e anunciando a abertura de inquérito administrativo para apurar supostas irregularidades, acrescentando que o caso deve ficar sob a responsabilidade da Procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) do Automobilismo.
A entidade, no entanto, através de nota emitida em nome de seu diretor, Nelson Valduga, argumentou que "os auxiliares e comissários técnicos não têm o poder de desclassificar ou de tirar pontos de qualquer piloto" e garantiu "com toda a certeza" que "nenhum piloto veio a ser punido pelos comissários desportivos com base em relatório dos comissários técnicos" em levantamentos realizados a partir de janeiro de 2009, e que, portanto, “nenhum piloto deixou de ser campeão em virtude de punições dos comissários da CBA".
Se ocorreu ou não alguma irregularidade, só as investigações vão revelar, mas após a reportagem é quase impossível relembrar da punição que o piloto recebeu no ano passado sem fazer nenhuma ligação com as mensagens. Na ocasião, Cacá foi punido com uma corrida de suspensão após ter xingado pelo rádio de sua equipe membros da CBA de imbecis, por conta de uma falha de um comissário na etapa de Ribeirão Preto, no dia 5 de abril. Ele havia cruzado a linha de chegada em primeiro, mas não recebeu a bandeira quadriculada, o que prorrogou a disputa entre ele e Marcos Gomes por mais uma volta.
A punição seria na etapa de Santa Cruz do Sul-RS, dia 28 de junho, mas um efeito suspensivo permitiu que ele disputasse as provas. No entanto, no julgamento no pleno do STJD, a suspensão foi confirmada para a etapa de Curitiba, no dia 2 de agosto. Até hoje, o piloto alega que a sanção o impediu de chegar na última etapa, no dia 13 de dezembro, em Interlagos, em condições de briga pelo título em pé de igualdade com Marcos Gomes, que foi o campeão de 2015.
Após a publicação da reportagem, Cacá Bueno, que é o maior vencedor da categoria em atividade, com cinco títulos (2006, 2007, 2009, 2011 e 2012) e cinco vice-campeonatos (2003, 2004, 2005, 2010 e 2015), colocou em dúvida, inclusive, punições recebidas em outras temporadas. “Vendo essa conversa, me lembro de vários casos em que eles (comissários) podem ter comprometido o resultado final do campeonato. É um absurdo, porém, infelizmente, não me surpreende. Sempre tive suspeitas”, destacou.
Casos de corrupção do mundo esportivo não são mais novidade, infelizmente. Garimpando na memória, é possível citar alguns exemplos mais recentes, como o esquema de manipulação de resultados na Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), revelado no início deste ano; fraude, suborno, lavagem de dinheiro e sabe-se lá o que mais na Fifa, CBF e outras confederações nacionais, em 2015; camuflagem de casos de doping na Federação Internacional de Atletismo (IAAF), em 2014; fraude em contrato de patrocínio na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), em 2014; e uma série de outros que uma breve pesquisa no Google pode mostrar. Se o caso da Stock Car é, como o próprio Cacá Bueno sugeriu, “a ponta do iceberg” ninguém sabe. Sinceramente, espero que não. Mas eu não coloco minhas mãos no fogo. E você?
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