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Marcelo Ranzani
Médico vai trazer informações para você ficar em dia com sua saúde
Sem medo da Aids, a sífilis cresceu
A sífilis é uma doença que, se não tratada, tem três fases. E o pior que está cada vez mais comum entre nós. É estranho, mas essa é uma tendência comum entre as DST (doença sexualmente transmissíveis) que não têm vacina, como a Hepatite B. 
Na primeira fase, o cancro duro, ou seja, uma lesão genital parecida com um furúnculo, que pode ocorrer no homem ou na mulher, nesta, às vezes, escondida na parte interna, ou seja, no interior da vagina ou colo uterino. Essa lesão não dói e pode desaparecer espontaneamente, mas não significa que se curou. 
Cerca de 2 meses a dois anos depois, pode ocorrer a fase secundária da doença, onde lesões de pele parecidas com uma rubéola, ocupam todo o corpo ou parte dele e se não tratadas, persistem, ou até somem sozinhas de novo. Mas, anos depois, pode haver a sífilis terciária, com lesões graves nos nervos, podendo comprometer o cérebro, visão, os movimentos do corpo e até promover quadros psiquiátricos graves. Lesões em grandes vasos, tais como aneurismas de artérias, podem ser consequência da sífilis terciária também.
Outro grave problema na sífilis é quando ele ocorre durante a gravidez. Mal formações graves nos fetos, podem ocorrer, assim como se fala muito hoje, em relação ao Zika vírus. Com o aumento do número de casos de sífilis, houve por consequência o aumento do número de casos de sífilis congênita e de mortes em bebês por causa dessa doença. 
O aumento das mortes de bebês pela sífilis no Brasil vem sendo gradual. Em 2011, foram 111 óbitos; em 2012, 147; e em 2013, 161. Se contabilizarmos as mortes desde 2000 até 2013 o número total de mortes de bebês chega a 1.241, sendo 43,2% na Região Sudeste, 34% no Nordeste, 10,2% no Norte, 9,5% no Sul e 2,1% na região Centro-Oeste do País. O número de grávidas com a doença passou de 1.863 em 2005 para 21.382 em 2013, alta de 1.047%. Já o número de notificações de sífilis congênita, quando a mãe passa a doença para o bebê, subiu de 5.832 para 13.705 no mesmo período, crescimento de 135%. Isso é, já tínhamos nosso Zika aqui.
O aumento de infecções chegou a 603% no estado de São Paulo, onde os casos passaram de 2.694 em 2007 para 18.951 em 2013. A maior parte dos estados, porém, não tem registros tão antigos. Em 2011 tivemos 12 casos de sífilis em Lençóis Paulista. Em 2014 foram 64 e em 2015 73 casos notificados. Se somarmos todos os casos de 2011 a 2015, ou seja, dos últimos 5 anos, foram 226 casos de Sífilis notificados em nossa cidade. É muito mais do que se via há uma década. 
O tratamento consiste em injeções de penicilina, medicamento conhecido pelo nome comercial de Benzetacil. A droga chegou a ficar em falta no Brasil, em meados de 2015, tanto no setor público como no setor privado, mas atualmente está disponível. O crescimento da doença, porém, não tem relação com o desabastecimento da droga, já que há outras opções terapêuticas; esse crescimento se deve à redução do uso da camisinha, já que a Aids, que agora tem tratamento eficaz, não mata tanto quando antes, e põe menos medo às pessoas.
É preciso informação. É preciso campanhas para o estímulo do uso da camisinha. É preciso ensinar nas escolas o risco dessas doenças. Tratar as consequências depois, custa mais caro, para quem sofre e para o estado. 
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