Mural do Esporte
por Elton Laud, repórter de O ECO, que vai tratar das curiosidades do esporte
Você confia na Fifa?
Depois dos escândalos de corrupção a Fifa escolhe nesta sexta-feira (26) o seu novo presidente. Após 18 anos do questionável comando do suíço Joseph Blatter, que, assim como o ex-presidente da Uefa (e vice da Fifa), Michel Platini, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, e dezenas de dirigentes e pessoas ligadas ao meio, tomou um belo pé na bunda, a entidade máxima do futebol vive uma semana decisiva, na expectativa de um desfecho favorável à recuperação de sua credibilidade. A escolha do novo chefão do futebol mundial será feita por um colégio eleitoral composto pelas 209 associações nacionais filiadas. 
Cinco candidatos concorrem ao posto para um mandato que vale para os próximos quatro anos: o suíço-italiano Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa desde 2009; o sheik do Bahrein, Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, que é presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC); o príncipe da Jordânia, Ali Bin Al-Hussein; o diplomata francês Jerome Champagne, que é ex-funcionário da Fifa; além do empresário sul-africano Tokyo Sexwale.
O que se comenta é que até a sexta-feira prováveis “acordos” possam eventualmente vir a acontecer nos bastidores e que é possível que algum candidato desista de concorrer e declare seu apoio a um adversário. Se isso ocorrerá ou não, só saberemos depois. Porém, não é de se duvidar, já que é dado praticamente como certo pela imprensa internacional que entre os cinco aspirantes ao cargo apenas dois têm chances reais de serem eleitos(Infantino e Al-Khalifa).
A informação que circula é que os dois possuem juntos mais de 95% das intenções declaradas de voto entre as confederações nacionais. O que, é claro, não significa que uma reviravolta não possa acontecer. Afinal, como já disseram por aí: futebol é sempre uma caixinha de surpresas, ainda que fora das quatro linhas do gramado. Por conta disso, até os que chegam “de fininho”, correndo por fora, devem ser observados com atenção. Até porque uma eleição de qualquer candidato no primeiro turno é algo visto como bem improvável de se acontecer.
Para que um candidato seja eleito no primeiro turno é preciso que tenha pelo menos 139 votos, o que representa dois terços do total. Infantino tem o apoio da maioria das 53 confederações da UEFA (Europa), das 35 da Concacaf (Américas Central, do Norte e Caribe) e também das 10 da Conmebol (América do Sul) - inclusive do Brasil que será representado pelo atual presidente da CBF, Coronel Nunes -. Já Al-Khalifa tem o apoio declarado das 46 confederações da Ásia e das 54 da África. Se ninguém conseguir a maioria, os dois mais votados avançam ao segundo turno. Aí será eleito quem tiver metade dos votos mais um.
Seja qual for o resultado, o fato é que a entidade brada a chegada de novos tempos. Esta semana também deve ser aprovado um pacote de medidas que tem como objetivo descentralizar o poder e impor mais transparência na administração. O pacote de reformas prevê, entre outras coisas, a ampliação do Comitê Executivo - que passará a se chamar "Conselho Fifa" e terá pelo menos seis mulheres entre seus 36 integrantes - além da publicação de salários dos dirigentes mais graduados e limite de mandatos para o presidente. Tarde demais. Pouca gente, a essa altura, acredita ou confia na Fifa.
Você confia? Foi exatamente essa pergunta que a organização não-governamental Transparência Internacional, que tem como principal objetivo combater a corrupção em todo mundo, fez a cerca de 25 mil pessoas de 28 países (inclusive o Brasil). O resultado? 69% disseram não confiam. Confesso que esperava até mais do que isso. Pelo menos esperava uma porcentagem menor do que os 19% de pessoas que responderam que confiam. Qual foi o critério utilizado por essas pessoas eu não sei. Seria mais coerente fazer como os outros 12% que não souberam responder.
Os dados, que foram divulgados esta semana no site da ONG, fazem parte de uma pesquisa feita por meio do aplicativo “Forza Football”, dedicado principalmente a divulgação de resultados de futebol. A maior parte dos votos foi registrada na Europa (Reino Unido, Alemanha, Dinamarca e Portugal) e Estados Unidos. No Brasil foram ouvidas cerca de 200 pessoas.
Entre os países que menos acreditam na Fifa, estão o Chile (88%), Argentina (80%), Irlanda (80%), Coreia do Sul (80%) e Espanha (76%). Já entre os países onde mais se acreditam na entidade estão a Tailândia (55%), o Japão (53%), a Rússia (46%), a África do Sul (31%) e o Qatar (30%). 50% dos participantes acreditam que a Fifa nunca vai restaurar sua reputação. 25% pensa o contrário e 25% não soube responder. 43% disse que os escândalos estão afetando a forma como eles gostam de futebol. E 60% não escolheria nenhum dos cinco candidatos ao cargo de presidente da entidade.
Junto com a pesquisa, a Transparência Internacional divulgou um relatório bem extenso, de quase 400 páginas, que aborda a corrupção no esporte, desde casos de doping, manipulação de resultados, fraudes contratuais, entre outros assuntos que colocam na berlinda, além da Fifa, entidades como o Comitê Olímpico Internacional (COI).
O prefácio do estudo foi escrito pelo ex-jogador do São Paulo e da seleção brasileira Raí, que escreve em um trecho: “O esporte é uma grande fonte de inspiração, mas é organizado com uma autonomia absurda, sem controles eficazes. As organizações (que comandam o esporte) funcionam quase como Estados independentes, sem contrapesos eficazes e com grandes possibilidades de manobrar para permanecer no poder”.
Isso todos já sabem. O não se sabe e nem se acredita mais é se o novo presidente da Fifa será capaz de reverter esse cenário caótico que se criou ao redor da entidade. Esperaremos para ver.
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