Fagulha Musical
por Cleiton Rolo, músico e designer gráfico
Um príncipe na psicodelia brasileira
Um príncipe na psicodelia brasileira
Nascido em Niterói, em 1944, Ronnie Von (pronuncia-se ‘Fon’), é filho de diplomata e ‘fugiu’ da Academia da Força Aérea para se dedicar à música, depois tanto os amigos insistirem.
Acanhado, até então não havia pensado em ser cantor ou muito menos se contrapor aos planos da família. Mas, mesmo assim, o fez. Para o nosso deleite.
Através do acesso às novidades musicais que vinham do outro lado do oceano, o cantor obteve referência estética antes de muita gente na época. Suas primeiras gravações já mostravam uma melodia diferenciada entre os sucessos brasileiros dos anos 60 e, especificamente, da Jovem Guarda. Seu primeiro grande hit foi uma versão em português da música Girl, dos Beatles, que foi lançada em 1966. Logo em seguida, outro grande sucesso tomava as estações de rádio, TV e jornais: A Praça.
Mas a cereja do bolo dessa carreira preciosa e enigmática que Ronnie Von traçava, e que faz toda a diferença entre a seara de artistas brasileiros, viria nos próximos anos e ainda só se estabeleceria como uma estética musical inovadora, depois de quase 30 anos.
Seguindo o pedido da gravadora, a partir de 1968, o cantor empreitou-se numa sonoridade psicodélica, que é o que andava rolando nos EUA e Inglaterra. O primeiro disco, intitulado apenas como Ronnie Von, foi o embrião para uma trilogia regada a efeitos de guitarras distorcidas, muito fuzz, poesias lisérgicas, narrações intimistas e peculiaridades sonoras que só a indústria brasileira de 1968 poderia imaginar.
Depois veio o álbum A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca Mais, que traz versões de Dindi, de Tom Jobim, sob uma ótica um tanto alucinógena e também, My Cherrie Amour, de Stevie Wonder. No disco ainda tem uma versão de Atlantis, do britânico Donovan.
Já em 1970, seguindo o conceito psicodélico, Ronnie Von lança o que é hoje considerado uma obra particular da psicodelia: A Máquina Voadora, uma espécie de celebração da música e das efemeridades da época. Letras simplórias, mas que despertam muita nostalgia de verão, de amores, de lugares e sensações como em páginas de um diário de um jovem brasileiro sem muita pretensão. Essa fase de Ronnie Von é extremamente inspiradora e legítima!
Curta um som e nos vemos por ai!
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