Fagulha Musical
por Cleiton Rolo, músico e designer gráfico
A Era Bendita dos Malditos
A Era Bendita dos Malditos
Antes mesmo de a música brasileira estar quase sempre associada àqueles velhos e ultrapassados refrãos de amor simplório ou cotidianos insípidos, existiam os chamados “Malditos da MPB”. É como foi apelidada uma seara de artistas que, entre o fim dos anos 60 até o começo dos anos 80, produziam músicas à margem do senso comum.
Eles não eram bem rock, nem da Tropicália ou Bossa Nova, muito menos da Jovem Guarda, não tocavam nas rádios, não tinham gravadora e estavam quase sempre na mira da Ditadura. Com uma estrutura poética que deixava a grande massa chorosa por falta de assimilação, regozijavam de um quase anonimato artístico onde se deliciavam fazendo o que realmente lhes importava: música e poesia. Com os tempos mudando, esses “Malditos” foram devidamente recolocados no mercado, só que dessa vez, com uma alta procura e aceitação pública. Logo se viu, que tais músicas que em outrora eram tidas como estranhas, na verdade eram verdadeiras iguarias da música brasileira.
Depois de definido que essa geração da contracultura traçava definitivamente um estilo, muitos nomes foram especulados ou citados, mas nem todos têm a ‘marginalidade’ artística necessária. Alguns foram considerados ‘malditos’ em determinada fase da carreira e mais tarde foram também apreciados pelo grande público, mas os maiores nomes dessa leva vanguardista são Sérgio Sampaio, Walter Franco, Jards Macalé, Tom Zé, Jorge Mautner, Luiz Melodia e, mais tarde, Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção.
Ainda associados a esses nomes, marginais da música, diga-se, fala-se muito também em Torquato Neto, poeta piauiense, Taiguara, músico recordista de censura pela Ditadura e o pernambucano Di Melo e seu incrível soul que rompe todas as barreiras geográficas. E ainda é importante dizer que, nesse poderoso círculo criativo, gente como Raul Seixas, Tim Maia e Ângela Rô Rô sempre estiveram por perto.
Com a atual cena musical sendo amplificada através das referências diversificadas pelo acesso à informação, é comum serem produzidas no Brasil de hoje, músicas que carregam dessa era que se tornou uma verdadeira estrutura artística. Os discos lançados nessa época são obras-primas de uma MPB que por muito tempo, foi pouco explorada e ouvida.
Curta um som e nos vemos por ai!
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