Publicidade
Publicidade
Publicidade
Fagulha Musical
por Cleiton Rolo, músico e designer gráfico
Sobre empobrecimento cultural e palcos vazios
Sobre empobrecimento cultural e palcos vazios
Que o sistema trabalha dia após dia em uma incansável batalha em prol do empobrecimento cultural da população, é fato. Um povo sem informação é suscetível à alienação. Bom para o Governo. 
Cada indivíduo recebe mensalmente seu kit “cala a boca e vá trabalhar” e está tudo certo, desde que as contas estejam devidamente pagas. Uma prática que infelizmente só tem aumentado com o passar dos anos. Mas não se deixe enganar, tudo isso é parte de um processo regido pelo capitalismo para que você se sinta mal em se divertir ou se informar.
Aqui, em Lençóis, não foi diferente. As gestões anteriores fizeram com maestria a parte que lhes cabia participando desse exército proibitivo que nos trouxe um longo e tenebroso inverno de inculturas. Foram anos de negligências artísticas, fechamentos de estabelecimentos voltados ao entretenimento, placas e mais placas proibitivas, tudo isso seguido, é claro, da truculência policial. O cidadão congelou. Para termos ideia do tamanho da repressão, era proibido tocar violão em praças. Violão de nylon! Os jovens se sentiram coagidos e desmotivados artisticamente para seguirem em frente com suas aptidões musicais autodidatas.
O que eu mais ouço entre as pessoas que ainda se interessam por música hoje, frente a essa multidão ensandecida do contra, é uníssono e renitente: falta música ao vivo. Falta música nos já estruturados palcos que existem na cidade. Falta reconhecer e catalogar os músicos e as musicistas populares lençoenses, capacitá-los (as) e pagar seus respectivos honorários em apresentações periódicas. Falta incitar oportunidades artísticas ao jovem e mostrar que não existe somente o curso de açúcar e álcool.
Cultura não é só o boneco de garrafa pet, o teatro de palhaços e a Orquestra Barroca Clerical interpretando pela enésima vez os grandes sucessos do Adoniran Barbosa ou o U2 cover. Cultura é também o que nos permeia no agora. É música moderna, experimental, rock, samba, música brasileira. É música inventada, do tipo das que estrangeiros adoram e não conseguem fazer igual. É música diferente das que tocam nas rádios e que nos empurram goela abaixo.
Espero que aquele inverno improdutivo e digno somente de coluna social de outrora nunca mais volte, e cá entre nós, eu não vejo a hora desse verão de música retornar à cidade e restabelecer o direito do jovem comum de se divertir gratuitamente nos locais públicos de Lençóis Paulista. Não se deixe abalar e vamos em frente! Curta um som e nos vemos por ai!
Siga o Cleiton nas redes sociais:
Facebook: cleiton.rolo
Instagram: cleitonrolo
Twitter: @cleitonrolo
comentários Comentário
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • Ainda não há nenhum comentário para o Artigo. Seja o primeiro!
Publicidade
Publicidade

Todos os direitos reservados © Jornal O ECO 2017 - oeco@jornaloeco.com.br - telefone central: (14) 3269-3311

desenvolvido por Natus Tecnologia